Verificar um CNPJ é conferir se os 14 dígitos formam um número bem construído antes de usar o dado em uma nota fiscal, um cadastro ou um contrato. A parte decisiva da conferência são os dois dígitos verificadores, calculados com a regra do módulo 11.
Como o CNPJ é formado
| Parte | Posições | Significado |
|---|---|---|
| Raiz | 1 a 8 | Número base da inscrição da empresa |
| Ordem | 9 a 12 | Identifica a matriz (0001) e as filiais |
| Dígito verificador | 13 e 14 | Valida os 12 dígitos anteriores |
Os dois últimos dígitos não são escolhidos pela empresa: são calculados a partir dos 12 primeiros.
Conferindo o primeiro dígito verificador
Multiplique os 12 primeiros dígitos pelos pesos 5, 4, 3, 2, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, some tudo e divida por 11:
- Se o resto for 0 ou 1, o dígito é 0.
- Nos outros casos, o dígito é 11 menos o resto.
Exemplo com o CNPJ 11.222.333/0001-81:
1×5 + 1×4 + 2×3 + 2×2 + 2×9 + 3×8 + 3×7 + 3×6 + 0×5 + 0×4 + 0×3 + 1×2 = 102
102 ÷ 11 = 9 com resto 3 → 11 − 3 = 8 (primeiro dígito verificador).
Conferindo o segundo dígito verificador
Agora use os 13 primeiros dígitos (os 12 iniciais mais o primeiro dígito verificador) com os pesos 6, 5, 4, 3, 2, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2:
1×6 + 1×5 + 2×4 + 2×3 + 2×2 + 3×9 + 3×8 + 3×7 + 0×6 + 0×5 + 0×4 + 1×3 + 8×2 = 120
120 ÷ 11 = 10 com resto 10 → 11 − 10 = 1 (segundo dígito verificador).
O CNPJ completo fica 11.222.333/0001-81. Esse exemplo é útil justamente porque o resto da segunda conta dá 10: o dígito correto é 1, e não 0.
Erros comuns na hora de verificar
- Trocar a regra do resto 10: resto 10 → dígito 1 (não 0). A formulação que circula por aí (“resto 10 vira 0”) invalida CNPJs corretos.
- Aceitar números repetidos: só a sequência 00000000000000 passa pela conta do módulo 11, mas não é uma inscrição legítima. Um validador correto rejeita qualquer CNPJ com os 14 dígitos iguais (por exemplo, 11111111111111 também falha no cálculo dos dígitos).
- Contar dígitos errado: o CNPJ tem exatamente 14 dígitos. Treze dígitos, ou 14 com letras no formato numérico, não são válidos.
- Esquecer a máscara: na conferência com pontuação o padrão é 00.000.000/0000-00; o cálculo, porém, usa sempre os dígitos puros.
Um segundo exemplo prático: o CNPJ da Petrobras, 33.000.167/0001-01, tem a primeira soma igual a 121 (resto 0 → dígito 0) e a segunda igual a 142 (resto 10 → dígito 1), o que confirma os dois caracteres finais.
O que a verificação não garante
A conferência dos dígitos prova apenas que o número é bem formado. Ela não diz se a empresa existe, se está ativa ou se os dados informados são realmente daquele CNPJ. Para isso, consulte o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no serviço oficial da Receita Federal:
- Ativa: registro regular, a empresa pode operar.
- Baixada: inscrição encerrada.
- Suspensa: há pendências que travam temporariamente a operação.
- Inapta: a empresa deixou de apresentar declarações e o registro foi declarado inapto.
A norma vigente do cadastro é a IN RFB 2.119/2022, e a Receita Federal introduziu também o CNPJ alfanumérico (IN RFB 2.229/2024), em que as 12 primeiras posições podem conter letras e números — as ferramentas deste site seguem trabalhando com o formato numérico tradicional.
Verifique o número antes de consultar
- Validar CNPJ — confere a estrutura e os dois dígitos em segundos
- Dígito verificador do CNPJ — calcula os dígitos de uma base de 12 números
- Validar CPF — para pessoas físicas
- Validar PIS — para o número do trabalhador
Conferir os dígitos primeiro evita erros de digitação em notas e cadastros; a confirmação de que a empresa existe é sempre a consulta oficial no portal da Receita Federal.